É alarmante ver a desumanidade e alienação do Homem ao cruzar-se com um ser de muletas. Não reparam, não vêem, não querem saber, empurram, apitam e seguem o seu percurso frenético.
Ontem sentada no último andar do Centro Comercial Allegro conseguia ver a miscelânea de pessoas que se aglomeravam nas mesas da zona da restauração.
Vi adolescentes vestidas de mulheres. Casais que não conversavam. Crianças que gritavam porque não queriam x mas sim y. Famílias carregadas de sacos de compras a tentarem organizarem-se no caos para poderem jantar, etc.
Mas, também vi mulheres vestidas de igual, de cabeça baixa e em silêncio a tirarem tabuleiros das mesas, a tentarem organizar o que os outros desorganizaram, a fazerem o seu trabalho, a ouvirem gritos e a serem mal pagas. Vi que elas, mais do que eu, eram fantasmas nesta panóplia de pessoas.
Nem um obrigada, um olá ou um sorriso. Porque elas para eles não são nada.




