sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Cicatriz

Quando tinha 10 anos fiz uma cicatriz.

Estava no inicio do 5º ano. Nova escola, muitas disciplinas e professores e novos colegas. O entusiasmo era grande. A vontade de aprender, fazer amigos, mostrar quem eu era e partir à descoberta eram sobreabundantes.
Estava sentada na ultima carteira da fila do meio da aula de história quando o acidente aconteceu. Antes da aula tinha comprado o material necessário para o ano lectivo e, em vez de prestar atenção à aula comecei a brincar com o x-acto comprado para as aulas de EVT. O x-acto fugiu-me e cortei a palma da mão. Não gritei, não chorei e não disse nada a ninguém. Sai da aula com a mão a pressionar a ferida e corri para a casa-de-banho. Uma funcionária viu-me e correu atrás de mim (nessa altura o sangue já sujava o chão do corredor) enquanto que eu punha a ferida debaixo da torneira do lavatório na esperança de limpar o sangue. O sangue não parou e a funiconária chamou outros funcionários. Administrativos e professores olhavam para a minha ferida e decidiram estagnar o sangue com algodão e uma ligadura. Ligaram para a minha mãe e fui de taxi para o Hospital D. Estefãnia.
No Hopital fui atendida por enfermeiras experientes que ao verem o algodão na ferida ficaram apreensivas. As fibras de algodão tinham colado na minha ferida aberta.Teriam que removê-las com uma pinça antes de fazerem a anestesia local. Doeu muito mas eu não chorei. Levei 8 pontos.
A ferida levou o seu tempo a curar. Houve infecções por causa da minhas distracções a brincar no recreio. Alguns pontos não fecharam bem e tive que esperar mais do que o necessário para tirá-los. Quando os tirei fiquei aliviada, tinham-se acabado as ligaduras e as dores da mão. Estava muito feliz.
De vez em quando relembro desse dia quando sinto comichão na cicatriz. Já não tenho dor mas a cicatriz ficou na palma da mão.
Durante algum tempo não usei x-actos. Tinha medo e não eram um instrumento essencial na minha vida.
Hoje em dia se for necessário uso um x-acto mas tenho sempre cuidado para não me cortar.

O que conclui:
  • Muitas feridas que nos foram incutidas partiram muitas de vez da nossa acção e decisão (usar o x-acto).
  • Quando a ferida acontece, muitas vezes ninguém se apercebe.
  • A resposta ao problema imediato é muitas vezes errónea, em vez de resolver estancamos o sangue para que não se veja (algodão na ferida)
  • A má resposta pode provocar mais dor que a ferida (tirar as fibras do algodão com uma pinça na ferida aberta)
  • O processo de cura pode demorar e ter contratempos (dores, infecções etc)
  • O x-acto nunca tem culpa e todos esquecem que foi "ele" que provocou a ferida.
  • Eventualmente a ferida fecha, mas de tempos em tempos a cicatriz recorda-nos o que aconteceu.



Se leste até ao final: Parabéns! =P

3 comentários:

Ana Louro disse...

Onde está o botaozinho do "Gosto"??

Tudo tem de ser encarado como uma experiência, umas boas e outras más... mas vês como não mexeste num x-ato durante algum tempo e agr tens cuidado??

Um beijinho e cuidado com as facas, tesouras e x-atos!! Nestes seis meses não convém brincar aos hospitais (como eu que cortei a ponta do dedo a fazer a jardineira :S:S:S)

Gosto de ti! :)

dread_Nuno_yoyo! disse...

A má resposta pode provocar mais dor que a ferida (tirar as fibras do algodão com uma pinça na ferida aberta)... Concordo!

Mafaldinha disse...

Gosto muito Pris!!
E de ti também! Beijinhos :)